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Um navio vinculado à frota fantasma da Rússia, sancionado pelo Reino Unido, pela União Europeia, Suíça, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Ucrânia, permanece em rotação na zona de fundeio de Arica.
De acordo com informações ligadas a sites de rastreamento de navios, o petroleiro Sauri (IMO 9266475) teria chegado à costa chilena em março deste ano.
O navio, registrado sob a bandeira de Camarões, dedicar-se-ia ao transporte de petróleo bruto e produtos petrolíferos russos de portos estratégicos nos mares Báltico e Negro, violando o embargo e a política de teto de preços do G7+, conforme declarado pelo site governamental ucraniano War Sanctions.
De acordo com a agência Reuters, a carga do Sauri seria destinada ao mercado da Bolívia, um país sem litoral que depende do Terminal Sica Sica -localizado em território chileno- para concretizar suas importações marítimas de hidrocarbonetos.
A instalação portuária, operada pela estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), por razões desconhecidas ainda não atende ao navio. A YPFB não respondeu a um pedido de comentários da Reuters.
A estação marítima boliviana costuma ser afetada pelas condições de instabilidade climática da região, principalmente ressacas, o que impede que os navios amarrem às boias do terminal e se conectem ao Oleoduto Sica Sica-Arica (OSSA II).
Apesar do exposto, o petroleiro Grace Leon (IMO: 9380051) -proveniente dos Estados Unidos- encontra-se atualmente realizando operações de descarga em Sica Sica. Esta embarcação, juntamente com o navio Swift (IMO: 9464376), está há mais de dois meses na zona de fundeio de Arica.
Cabe recordar que a Rússia começou a fornecer diesel à Bolívia em 2024 para ajudar a mitigar a escassez de combustível, enviando pelo menos 190.000 toneladas no ano passado, à medida que as sanções ocidentais impulsionaram Moscou a expandir-se para a América Latina, segundo a Reuters.
No final de abril, o Governo da Bolívia aprovou um decreto que permite à YPFB realizar compras diretas de hidrocarbonetos nos mercados internacionais à vista (spot), o que a faculta a adquirir combustíveis sem intermediários em um esforço para garantir o abastecimento interno.
A presença em Arica de navios vinculados à frota fantasma russa e sujeitos a sanções internacionais não é um fato inédito. Em outubro de 2025, o PortalPortuario já havia informado sobre a chegada dos petroleiros Symphony (IMO 9309588) e Beast (IMO 9290921), os quais desembarcaram combustível no Terminal Sica Sica da YPFB.
Através de uma revisão realizada em outubro de 2025, o PortalPortuario identificou que outros três petroleiros -atualmente sob sanções internacionais- também haviam permanecido à espera de operar no terminal boliviano. Essa situação ocorreu em junho do mesmo ano e envolveu os navios Sky Rider (IMO 9208124), Prometei (IMO 9296597) e Mishell (IMO 9332315).
Conflito internacional
O aumento dos preços do combustível reflete o impacto dos conflitos internacionais e das tensões geopolíticas, particularmente desde meados de fevereiro, em razão da guerra no Irã. Essa situação impulsionou vários operadores do mercado a priorizar transações à vista (spot) que oferecem uma maior margem de lucro.
Em abril deste ano, pelo menos três petroleiros que transportavam diesel russo de muito baixo teor de enxofre (ULSD) foram desviados no meio de sua viagem do Brasil para destinos alternativos, segundo a Reuters.
Outros três petroleiros, carregados em abril no porto russo de Primorsk, no Báltico, com 120.000 toneladas de diesel de baixo teor de enxofre, também estariam à deriva sem um destino claro à espera de ordens, segundo dados de transporte marítimo publicados pela agência.
Fonte: PortalPortuario

