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Greenpeace Pacífico Sul, entidade jurídica através da qual a organização transnacional ambiental opera na região, apresentou um recurso de reclamação ao Comitê de Ministros contra a Resolução de Qualificação Ambiental (RCA) do projeto Porto Exterior de San Antonio. A ação busca reverter a aprovação concedida em 9 de junho de 2026 pela Comissão de Avaliação (Coeva) da Região de Valparaíso e exige, em seu lugar, a rejeição da iniciativa impulsionada pela Empresa Portuária San Antonio (EPSA). Segundo a organização ecologista, a autoridade ambiental incorreu em um vício ao não considerar nem responder devidamente às observações levantadas durante as etapas de Participação Cidadã (PAC). Greenpeace sustenta que as respostas formais fornecidas pelo Serviço de Avaliação Ambiental (SEA) na RCA carecem de sustentação técnica. Na opinião da ONG, a autoridade descartou sem rigor suficiente a ocorrência de impactos severos, permanentes e irreversíveis sobre a orla costeira e os ecossistemas locais. Entre as principais falhas denunciadas no recurso destaca-se a falta de avaliação sobre como as obras afetarão o transporte de sedimentos nas praias localizadas ao norte do porto, como a Enseada de Cartagena. O projeto prevê a construção de um quebra-mar que interceptaria o fluxo de areias provenientes do rio Maipo e da deriva litorânea. A ONG assinala que a autoridade descartou um aumento da erosão em Cartagena sob a premissa de que essa zona depende de dinâmicas locais, mas sem ter realizado um estudo de balanço sedimentar nem uma delimitação de células que prove tecnicamente tal independência. Um segundo eixo crítico do recurso questiona a solidez das análises sobre o Cânion de San Antonio. Denuncia-se que os próprios estudos do titular reconheceram ter desativado a simulação digital dentro desta fossa submarina por limitações do software, o que impediu avaliar a hidrodinâmica da zona e definir com clareza a taxa de sedimentação esperada. Com respeito ao recurso hídrico, a reclamação questiona que a linha de base não reflete adequadamente a variabilidade sazonal nem os impactos da seca prolongada. Greenpeace argumenta que as análises do titular se basearam em estimativas indiretas e modelos estáticos que não permitem prever o comportamento mensal das águas superficiais e subterrâneas. Quanto ao Humedal Urbano Ojos de Mar, Greenpeace reconhece que o desenho original do porto foi modificado para não aterrar as Lagoas de Llolleo, mas adverte que a autoridade não avaliou a reação em cadeia que a obra provocará. Na opinião da ONG, omitiu-se estudar como a barreira do novo recinto portuário e a mudança na orla costeira alterarão a entrada e saída de água salgada, o que poderia transformar o equilíbrio hídrico e a biodiversidade das lagoas. Para Greenpeace, as deficiências do expediente impedem descartar afetações na sedimentação das praias, no Cânion de San Antonio, na bacia hídrica e no Humedal Ojos de Mar. Propõem que o megaprojeto não reúne as condições legais para manter sua qualificação favorável. Após contar com a recomendação favorável do SEA, cabe recordar, a Coeva da Região de Valparaíso aprovou por unanimidade o projeto Porto Exterior de San Antonio, concedendo-lhe sua respectiva RCA. No entanto, ao abrir-se a fase de impugnação administrativa perante o Comitê de Ministros, a iniciativa enfrenta posturas encontradas. Assim, enquanto a EPSA busca flexibilizar certas exigências técnicas e operacionais, uma aliança social e comunitária exige reverter a aprovação. A contraparte - através de diversos recursos de apelação - denuncia omissões na participação cidadã, prejuízos à qualidade de vida local e uma desconsideração dos danos ecológicos no estuário do rio Maipo e no Humedal Ojos de Mar.

