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O Ministério da Produção (Produce) vem avaliando um conjunto de medidas de contingência para mitigar os efeitos que o fenômeno El Niño e as ondas anômalas vêm gerando na atividade pesqueira, especialmente no setor industrial vinculado à captura de anchoveta para consumo humano indireto.
Assim o afirmou o titular do Produce, César Manuel Quispe Luján, durante sua participação na conferência de imprensa que o Gabinete Ministerial concedeu na manhã de hoje, quarta-feira, 24 de junho, para informar sobre as medidas de redução de risco, preparação e resposta diante do fenômeno El Niño.
Ele sustentou que a primeira temporada de pesca de anchoveta permanece suspensa enquanto se aguarda o próximo relatório do Comitê Multissetorial encarregado do Estudo Nacional do Fenômeno El Niño (Enfen), previsto para o final de junho.
"Estamos monitorando e aguardando um último relatório que deve sair no final do mês do Enfen para tomar decisões a respeito da continuidade ou não desta primeira temporada de 2026", sublinhou.
O ministro explicou que a situação do setor foi abordada recentemente em uma sessão do Conselho de Ministros, onde se acordou avançar na elaboração de um plano de contingência dirigido aos atores que poderiam ser mais afetados pela paralisação das atividades extrativas.
Quispe Luján precisou que entre as medidas que estão sendo analisadas figuram mecanismos de apoio financeiro para empresas e trabalhadores vinculados à atividade pesqueira. Nesse sentido, indicou que já manteve conversas com representantes sindicais do setor para avaliar alternativas como linhas de crédito com períodos de carência e esquemas de amortização diferida.
"Vamos preparar um plano de contingência de ajuda ao setor que será afetado, em especial o setor industrial e os trabalhadores", afirmou.
O titular do Produce manifestou, ainda, que este setor trabalha de forma coordenada com o Instituto do Mar do Peru (Imarpe) para identificar oportunidades de pesca derivadas das mudanças oceanográficas associadas ao aquecimento das águas marinhas.
César Manuel Quispe explicou que a presença de águas mais quentes favorece a entrada de espécies distintas das habituais, o que poderia abrir novas alternativas para a pesca artesanal.
"Estamos fazendo análises junto com o Imarpe sobre quais são as pescas de oportunidade, porque as águas quentes também trazem outras espécies e queremos que, em especial, a pesca artesanal possa aproveitá-lo", assinalou.
O ministro acrescentou que o monitoramento das condições marinhas é permanente e que nas próximas semanas está prevista a aprovação de diretrizes especiais que permitam facilitar o aproveitamento destas espécies emergentes.
A atividade pesqueira é um dos setores econômicos mais sensíveis às variações oceanográficas provocadas pelo fenômeno El Niño. A evolução das condições do mar e as recomendações científicas do Enfen serão determinantes para definir o futuro da atual temporada de pesca de anchoveta e as medidas de apoio que o Governo implementará.

