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Mais de 85% do comércio internacional peruano é movimentado por via marítima.
O crescimento do comércio exterior peruano e a modernização das operações portuárias vêm aumentando a demanda por pessoal técnico especializado no setor marítimo. Somente entre 2019 e 2024, as exportações passaram de 63 bilhões para mais de 74 bilhões de dólares, impulsionadas principalmente pela mineração e pela agroexportação.
Atualmente, o Peru conta com 59 portos —17 públicos e 42 privados— e mais de 85% do comércio internacional é movimentado por via marítima. Além disso, os investimentos portuários acumulados superam os 11 bilhões de dólares, direcionados à ampliação de terminais, dragagem, automação, integração logística e outros.
Nesse contexto, Ernesto Sarmiento, gerente de operações da Sarmiento Consultores, advertiu que o principal desafio do setor já não está unicamente na infraestrutura, mas na disponibilidade de pessoal capacitado para operar sistemas cada vez mais especializados.
"O Peru investe milhões em infraestrutura portuária, mas ainda existe uma lacuna importante na formação técnica especializada. Hoje as operações requerem conhecimentos em manutenção industrial, dragagens, automação, manobras de navios com sistemas dinâmicos de amarração, instrumentação e controle, operação de guindastes STS, monitoramento em tempo real e aplicação de protocolos e padrões internacionais", assinalou o especialista.
Segundo explicou, grande parte do pessoal operacional continua se formando por meio de experiência prática ou treinamentos básicos, apesar de as operações marítimas incorporarem cada vez mais processos automatizados e equipamentos tecnológicos. "Atualmente não existem centros especializados suficientes focados exclusivamente na formação técnica marítima e portuária", indicou Sarmiento.
Como referência, assinalou que países como Chile, Países Baixos e Filipinas contam com modelos de capacitação técnica marítima mais desenvolvidos e alinhados a padrões internacionais, permitindo a formação especializada de pessoal para operações portuárias e navais.
Outro aspecto que começa a ganhar relevância no setor é o manejo do inglês técnico marítimo. Segundo sustentou, o aumento de operações com embarcações internacionais e equipamentos estrangeiros torna necessário que o pessoal técnico conte com conhecimentos básicos do idioma para determinadas operações e protocolos.
Nesse cenário, a adaptação aos novos padrões internacionais se torna uma necessidade cada vez mais importante para o setor. Marcos normativos como o Convênio STCW, as diretrizes da OMI e os requisitos de certificação exigidos por terminais de classe mundial começam a ditar a pauta que o talento técnico nacional deverá alcançar para responder às novas exigências operacionais e logísticas.
"Caso essa adaptação não ocorra, o risco é concreto: empresas estrangeiras —com pessoal já certificado e alinhado a padrões internacionais— ocuparão os espaços que as empresas peruanas não conseguirem cobrir". Se essa lacuna não for atendida, o mercado acabará cobrindo essas necessidades com pessoal estrangeiro ou fornecedores externos, reduzindo a participação do talento técnico nacional em seu próprio setor", advertiu Ernesto Sarmiento.
Diante desse cenário, o especialista indicou que o país precisa impulsionar programas técnicos especializados, certificações por competência, treinamento prático em campo e alianças entre empresas, terminais, institutos e autoridades marítimas. A modernização portuária não pode se limitar à infraestrutura; deve incluir uma estratégia nacional de formação de talento técnico marítimo-portuário.
"Estamos vendo uma demanda crescente de pessoal técnico, especialmente fora de Lima, que ainda não está sendo atendida. O crescimento do setor marítimo também requer fortalecer a formação especializada para responder às novas exigências operacionais", concluiu Sarmiento.

