• 3 min de lectura
• 3 min de lectura

O Panamá planeja reforçar sua capacidade de monitorar o comportamento do mar com a instalação de três novos marégrafos que ampliarão a rede nacional de observação oceanográfica e fortalecerão os sistemas de alerta precoce, a segurança da navegação e a pesquisa científica. O projeto é desenvolvido pelo Instituto de Meteorologia e Hidrologia do Panamá (IMHPA) e pela Fundação Natura com a assessoria da Autoridade Marítima do Panamá (AMP).
Os equipamentos medirão permanentemente o nível do mar e estarão preparados para incorporar sensores que registrarão variáveis como temperatura da água, acidez (pH) e permitirão a detecção precoce de tsunamis por meio de transmissão via satélite, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos riscos costeiros.
O oceanógrafo e físico, Arnulfo Sánchez, chefe do Escritório de Meio Ambiente da AMP, explicou que atualmente a instituição oferece assessoria técnica ao IMHPA para identificar os locais que ofereçam as melhores condições oceanográficas e operacionais para a instalação dos equipamentos.
"Os marégrafos devem ser localizados em áreas que garantam segurança permanente, fácil acesso para trabalhos de manutenção e condições estáveis, livres de inundações ou fenômenos que possam afetar seu funcionamento", especificou Sánchez.
Como resultado das avaliações preliminares, Punta Coco, no Arquipélago das Pérolas, foi identificada como o primeiro local adequado para a instalação do equipamento. Da mesma forma, uma marina localizada no distrito de San Carlos, província do Panamá Oeste, atende às condições técnicas para abrigar um segundo equipamento. O terceiro local continua em avaliação e, entre as opções consideradas, figuram o Laboratório de Achotines e o cais em construção no corregimento de Cañas, em Tonosí, na província de Los Santos.
Atualmente, a AMP mantém em operação um marégrafo instalado em El Porvenir, comarca Guna Yala, doado em 2011 pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e pela Universidade do Havaí. Este equipamento transmite informações em tempo real para o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico, no Havaí, e faz parte da Rede Mundial de Marégrafos, que compartilha dados oceanográficos com a comunidade científica internacional.
Com a incorporação dos três novos equipamentos, o Panamá ampliará significativamente sua capacidade de monitoramento marinho, gerando informações estratégicas para a elaboração de cartas náuticas, o estudo do comportamento do nível do mar, a análise das mudanças climáticas, o planejamento de atividades portuárias, turísticas e pesqueiras, bem como a captação e armazenamento de séries históricas de dados oceanográficos de alto valor científico.
Cada marégrafo pode ter um custo aproximado de 50 mil dólares, incluindo os sensores e cinco anos de manutenção. Os três marégrafos serão financiados pela Fundação Natura e instalados sobre plataformas de alta estabilidade que incorporarão sensores submarinos e de superfície, além de painéis solares que garantirão seu funcionamento autônomo.
Com este projeto, o Panamá contará com quatro marégrafos operacionais, três no litoral Pacífico e um no Caribe, enquanto a AMP também avalia a instalação de um quinto equipamento no Cais Multiuso de Puerto Armuelles, na província de Chiriquí, devido às condições sísmicas da zona e sua importância estratégica para fortalecer o monitoramento oceanográfico e os sistemas de alerta precoce contra tsunamis.
Esta iniciativa consolidará o Panamá como um referente regional no monitoramento do nível do mar e na gestão de informações oceanográficas, reforçando a segurança da navegação, a proteção das comunidades costeiras e a tomada de decisões baseada em dados científicos de alta precisão.

