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Mais de 11.000 marítimos permanecem à espera de serem evacuados do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, no momento em que a comunidade internacional comemora, neste 25 de junho, o Dia Internacional da Gente do Mar.
A coincidência destaca uma realidade cada vez mais preocupante para o setor marítimo mundial: enquanto milhões de pessoas dependem diariamente do trabalho dos marítimos para receber alimentos, combustíveis e mercadorias, milhares desses trabalhadores civis continuam operando em regiões marcadas por conflitos armados, ameaças à navegação e elevados riscos para sua segurança.
Diante dessa situação, a Autoridade Marítima do Panamá (AMP) e sua Direção Geral da Gente do Mar (DGGM) reiteram que a segurança e o bem-estar da gente do mar devem ser mantidos como uma prioridade para a comunidade marítima internacional. Além disso, confiam que as condições necessárias serão restabelecidas para que a Organização Marítima Internacional (OMI) possa retomar o plano de evacuação das tripulações afetadas.
A preocupação intensificou-se após a morte de pelo menos 14 marítimos civis de diversas nacionalidades, enquanto exerciam funções a bordo de navios mercantes de diferentes registros em zonas afetadas por conflitos. A OMI tem insistido que as tripulações comerciais não devem se tornar vítimas de tensões políticas ou militares.
A situação no Estreito de Ormuz soma-se aos riscos que a navegação comercial enfrenta em outras regiões, como o Mar Negro, onde o conflito entre Rússia e Ucrânia provocou incidentes que afetaram embarcações mercantes e colocaram em perigo a vida de suas tripulações, incluindo navios sob bandeira panamenha.
Nesse contexto, o Panamá reiterou a necessidade de reforçar as medidas internacionais para proteger os marítimos, garantir a liberdade de navegação e salvaguardar a vida humana no mar.
Como parte dessas ações, a AMP mantém o e-mail labormar@amp.gob.pa habilitado para que os tripulantes que trabalham a bordo de navios da marinha mercante panamenha possam solicitar orientação, assistência ou fazer consultas relacionadas aos seus direitos e condições de trabalho. Além disso, recomendou aos marítimos panamenhos que necessitem de apoio no exterior que entrem em contato com o consulado do Panamá mais próximo.
Além dos riscos decorrentes dos conflitos, organismos internacionais alertaram sobre os desafios que a gente do mar enfrenta em termos de saúde mental e bem-estar emocional. As longas jornadas longe de casa, o isolamento e a incerteza operacional continuam sendo fatores que impactam significativamente aqueles que trabalham a bordo dos navios.
A cada ano, o trabalho da gente do mar permite movimentar cerca de 80% do comércio mundial. No entanto, por trás dessa atividade essencial para a economia global, existem milhares de histórias marcadas pela distância, pelo sacrifício e, em alguns casos, pela exposição direta a cenários de guerra.
No Dia Internacional da Gente do Mar, o Panamá se juntou ao apelo da comunidade marítima internacional para reconhecer a contribuição desses profissionais e fortalecer as ações destinadas a garantir que possam desempenhar seu trabalho em condições de segurança, dignidade e respeito aos seus direitos.

