• 5 min de lectura
• 5 min de lectura
O mercado de fretes marítimos entre a Ásia, México e América do Sul atravessou em junho um dos seus períodos de maior volatilidade, com movimentos abruptos nas tarifas, desequilíbrios na disponibilidade de espaço e novas pressões sobre a confiabilidade dos tempos de trânsito.
O índice EAX, elaborado pelo Eternity Group México, fechou maio em três mil 488 dólares por FEU (contêiner de 40 pés) na rota da Ásia para a Costa Oeste da América do Sul (WCSA) e México. No entanto, durante as primeiras semanas de junho, as tarifas spot aceleraram sua trajetória ascendente até atingir um máximo de seis mil 500 dólares por FEU.
O aumento foi provocado principalmente pela severa contração da oferta arrastada desde maio, quando o corredor chegou a registrar um déficit de capacidade de até 24 mil TEU (medida equivalente a contêineres de 20 pés). A falta de espaço disponível fortaleceu a posição das companhias marítimas e pressionou rapidamente para cima os custos de transporte.
O comportamento do mercado mudou durante a segunda metade do mês. Os congestionamentos acumulados em portos de origem e terminais de transbordo provocaram uma forte injeção de espaço, com a qual o balanço passou de um cenário deficitário para um superávit de 42 mil TEU.
A recuperação da capacidade gerou uma correção pronunciada das tarifas, que desceram para a barreira dos cinco mil dólares por FEU. Assim, em questão de semanas, o mercado passou de enfrentar uma escassez severa de espaço para absorver um volume superior de capacidade, evidenciando a sensibilidade das tarifas a qualquer modificação na oferta semanal.
Este reajuste coincidiu com a incorporação de novos navios porta-contêineres ao mercado global. Durante junho, foram entregues embarcações com uma capacidade conjunta de 183 mil 089 TEU, o que ampliou a disponibilidade mundial de espaço e poderia contribuir para moderar as pressões tarifárias durante os próximos meses.
CMA CGM liderou a contribuição de capacidade no período, ao incorporar três embarcações que, em conjunto, somaram 45 mil 460 TEU. Enquanto isso, a OOCL recebeu o navio individual de maior capacidade do mês, um megaportacontêiner com espaço para mais de 24 mil TEU.
A partir desta expansão da frota, o Eternity Group México prevê que julho possa se tornar um período de estabilização dos fretes, com tarifas próximas a quatro mil dólares por FEU na rota para o México e a Costa Oeste da América do Sul. Este cenário dependerá, no entanto, de que a oferta permaneça acima dos 150 mil TEU semanais.
Uma redução dos custos representaria um ambiente mais favorável para os importadores, mas não necessariamente resolveria os problemas operacionais do corredor. A contínua modificação da capacidade implantada pelas companhias marítimas, juntamente com possíveis afetos climáticos, manterá sob pressão a regularidade dos itinerários e poderá ocasionar atrasos importantes na chegada das mercadorias.
Diante deste cenário, o planejamento logístico adquire maior relevância do que a busca por reduções marginais nas tarifas. Para cargas críticas destinadas a linhas de produção ou temporadas comerciais, especular com novas quedas nos custos pode elevar o risco de não encontrar espaço ou descumprir os calendários de abastecimento.
O relatório EAX recomenda programar os embarques com entre três e quatro semanas de antecedência, com o propósito de assegurar capacidade e reduzir a exposição às mudanças repentinas do mercado. Também propõe fortalecer a coordenação entre fornecedores, compradores, operadores logísticos e demais participantes da cadeia.
Um dos elementos centrais será a precisão da data em que a mercadoria estiver pronta para ser carregada, conhecida como Cargo Ready Date (CRD). Uma modificação de última hora nas condições de saída pode provocar a perda do espaço atribuído, prática conhecida como roll-over, e transferir a carga para uma navegação posterior.
Enquanto a rota para o México e a Costa Oeste da América do Sul começou a mostrar sinais de correção, o corredor entre Ásia e a Costa Leste da América do Sul (ECSA) manteve uma trajetória contrária. O valor mensal do índice EAX nesta região atingiu sete mil 229 dólares por FEU, um aumento de 71,34% em relação ao mês anterior.
Durante o último bimestre, as tarifas neste corredor oscilaram entre quatro mil e oito mil dólares por FEU, um intervalo que confirma a Costa Leste da América do Sul como a rota mais sensível e volátil das analisadas pelo índice.
Os constantes ajustes realizados pelas companhias marítimas na configuração de seus serviços aprofundaram a instabilidade. Além de encarecer os fretes, as mudanças geraram disrupções operacionais e uma menor confiabilidade nos tempos de trânsito da Ásia, obrigando os importadores a operar com maiores margens de antecipação.
O comportamento de junho mostrou que a ampliação da frota mundial não se traduz automaticamente em capacidade estável para cada corredor. A distribuição dos navios, os congestionamentos portuários, os ajustes de serviços e as condições climáticas continuarão determinando tanto o nível dos fretes quanto a pontualidade das cadeias de suprimentos.

