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Diferentes vozes do setor marítimo e do comércio têm demonstrado sua preocupação em relação às eventuais complicações de financiamento do projeto Porto Exterior de San Antonio. A preocupação surgiu após as dúvidas geradas pelo Governo a respeito das dificuldades que as autoridades teriam tido para captar recursos junto a instituições bancárias internacionais.
Em específico, no último encontro do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI), o biministro de Transportes e Telecomunicações (MTT) e Obras Públicas (MOP), Louis De Grange, teria assegurado que, após realizar reuniões com diferentes bancos estrangeiros, os resultados não teriam sido os esperados devido ao alto investimento que a construção do quebra-mar representa (USD 1.950 milhões).
O PortalPortuario conversou com diferentes associações, que concordaram que esse tipo de iniciativa deve ser abordado com uma visão de longo prazo devido ao seu caráter estratégico e que um eventual adiamento afetaria a competitividade do Chile.
Para Hugo Barra, diretor da Liga Marítima (Ligamar), as dúvidas em relação aos recursos geram incerteza em todos os participantes da cadeia logística do país, assegurando que "vemos com preocupação as dificuldades de financiamento que foram levantadas em relação ao projeto Porto Exterior de San Antonio. Esperamos e confiamos que o Governo fará todos os esforços necessários para levar adiante uma obra que, a esta altura, não é apenas importante para San Antonio, mas estratégica para o Chile".
"Hoje, nossos principais portos, como San Antonio e Valparaíso, estão trabalhando muito perto de seus limites operacionais. Por isso, continuar adiando decisões em matéria portuária pode acabar afetando a competitividade do país nos próximos anos. O Chile precisa aumentar sua capacidade logística-portuária e fazê-lo com uma visão de longo prazo, como uma verdadeira política de Estado", acrescentou Barra.
Além disso, o diretor da Ligamar, afirmou que "não basta apenas construir infraestrutura. O Chile precisa avançar em uma melhor coordenação de todo o seu sistema logístico-marítimo-portuário. Temos bons portos, bons operadores e atores muito capazes, mas continuamos funcionando de maneira bastante fragmentada. Falta uma condução estratégica que permita integrar os portos sob uma lógica de macrozonas e projetar o país como plataforma logística do Pacífico Sul".
Por sua vez, Javier Torrejón, presidente da Câmara Regional de Comércio de Valparaíso (CRCP), destacou a necessidade de abordar essas questões sob uma perspectiva de longo prazo.
"O comércio internacional tem sido historicamente um dos principais motores do crescimento econômico do Chile, por isso, avançar oportunamente em infraestrutura moderna e com uma visão de longo prazo é fundamental para acompanhar as necessidades futuras do país e sustentar seu desenvolvimento", comentou Torrejón.
Além disso, o presidente da CRCP assegurou que os projetos de ampliação portuária de Valparaíso e Porto Exterior são iniciativas complementares vitais tanto para a região quanto para o país.
"Acreditamos que o desenvolvimento portuário é uma questão estratégica para o crescimento futuro do Chile e para manter a competitividade do país no comércio internacional. Tanto o Porto Exterior de San Antonio quanto o desenvolvimento portuário de Valparaíso desempenham papéis complementares e são fundamentais para fortalecer a capacidade logística do país e responder aos desafios futuros do comércio global", concluiu Torrejón.
Cabe mencionar que, após ser consultado pelo PortalPortuario, o gerente geral (i) da Empresa Portuária de San Antonio (EPSA), Fernando Gajardo, confirmou que a estatal financiará a construção da primeira etapa do projeto Porto Exterior.

