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Duas manchas de petróleo apareceram em águas iranianas, segundo revelam imagens de satélite e vídeos verificados pela Reuters, à medida que os ataques cruzados contra petroleiros e outras embarcações por parte do Irã e dos Estados Unidos aumentam a preocupação com os danos ambientais no Golfo.
Um potencial desastre ecológico se desenrola na costa de Omã, fora do Estreito de Ormuz. Lá, o petroleiro encalhado Caroline Bezengi derrama petróleo russo sobre uma área marinha protegida, provocando uma maré negra massiva que se estima em cerca de 2.000 quilômetros quadrados.
Uma das manchas apareceu em frente ao extremo sul da ilha de Qeshm, a grande ilha em forma de golfinho situada no Estreito de Ormuz, muito perto da costa iraniana, segundo mostraram imagens dos satélites Sentinel-2 do Copernicus.
Wim Zwijnenburg, pesquisador ambiental em fontes abertas da organização pacifista holandesa PAX, assinalou que a tonalidade escura em partes da mancha indicava que se tratava de óleo combustível pesado, enquanto uma mancha diluída mais clara se estendia por cerca de 160 quilômetros.
Um líquido escuro e borbulhante foi avistado chegando às praias de Suza, na ilha de Qeshm, contrastando com a água turquesa que a rodeia, segundo se observa em um vídeo publicado em 11 de agosto e verificado pela Reuters.
"Esta é a maior mancha que vi nos últimos meses, praticamente desde que começou o conflito entre Irã e Estados Unidos", afirmou John Amos, diretor executivo da SkyTruth, organização que utiliza imagens de satélite para detectar derramamentos de petróleo, qualificando-a de "um incidente maior".
Uma segunda mancha foi avistada perto da ilha menor de Sirri, no centro do Golfo, a cerca de 100 km a sudoeste de Qeshm e sede de parte da produção de petróleo e gás offshore do Irã, segundo mostraram as imagens de satélite.
As capturas de satélite da ilha de Qeshm foram feitas em 10 de agosto e as da ilha de Sirri em 13 de agosto.
"A mancha da ilha de Qeshm provavelmente se originou de um vazamento no Minoan Pioneer, um cargueiro de granel seco com bandeira da Libéria", assinalou Samir Madani, cofundador do serviço de monitoramento TankerTrackers.com.
O Minoan Pioneer foi atingido por um projétil não identificado perto da costa de Omã em um suposto ataque iraniano enquanto navegava pelo Estreito de Ormuz em 3 de agosto, deixando um marinheiro desaparecido, segundo informaram fontes de segurança marítima.
O mesmo vazamento provavelmente também afetou a ilha de Qeshm, segundo indicou à Reuters uma fonte de segurança marítima.
Um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, assinalou em uma publicação no X que a contaminação por petróleo procedente do Golfo havia atingido a ilha de Qeshm e que as provas preliminares "indicam um graneleiro estrangeiro como a fonte".
A Reuters não pôde confirmar de maneira independente a causa de nenhuma das duas manchas nem identificar as substâncias envolvidas.

