• 3 min de lectura
• 3 min de lectura

A Ucrânia avalia transportar grãos por ferrovia através da Moldávia como uma alternativa de exportação mais segura do que a via marítima.
Para isso, Kiev solicitou às autoridades de Chisinau um desconto de 50% sobre a tarifa nominal de frete com destino ao porto romeno de Constança, conforme informaram fontes de ambos os países.
Os envios dos recintos portuários ucranianos do Mar Negro, mesmo através do "corredor de segurança" para a Romênia, têm sido dificultados nos últimos meses pelo aumento dos ataques russos contra a infraestrutura portuária e o transporte marítimo.
"Atualmente estamos coletando informações sobre os volumes potenciais dos exportadores interessados. O processo de coleta de informações ainda não foi concluído", declarou à Reuters um alto funcionário da indústria ucraniana.
Uma fonte das Ferrovias da Moldávia indicou que a Ucrânia solicitou o desconto de 50% durante as conversações. Segundo o informante, a Moldávia respondeu com uma contraproposta na qual exige de Kiev garantias sobre os volumes de grãos que seriam transportados.
"Neste momento, ambas as partes estão discutindo o prazo e os volumes para o trânsito do grão ucraniano através da Moldávia para o porto (romeno) de Constança", precisou a fonte.
O ex-diretor das Ferrovias da Moldávia, Oleg Tofilat, declarou à Reuters que um corredor ferroviário de trânsito através da Moldávia poderia transportar 4,5 milhões de toneladas métricas por ano.
As estimativas ucranianas apontam que um corredor operacional poderia cobrir 10% das exportações do país. A Moldávia já havia facilitado o transporte ferroviário de grãos ucranianos entre 2022 e 2023. A necessidade de uma rota ferroviária surgiu em decorrência dos ataques russos contra o centro portuário de Odessa.
O ministro da Agricultura da Ucrânia, Taras Vysotskyi, declarou à Reuters nesta mesma segunda-feira que o ministério havia reduzido sua previsão de exportação de grãos para a temporada 2026-27 para entre 38 e 40 milhões de toneladas métricas - em comparação com as 43 milhões de toneladas previstas anteriormente - devido aos ataques russos aos portos.
A redução na projeção de exportação ressalta o dano que esses ataques estão causando a um país que envia mais de 90% de suas exportações de grãos por via marítima. Os produtos agrícolas representam a maior proporção das exportações totais da Ucrânia.
O primeiro-ministro da Moldávia, Vasile Tofan, declarou que seu país não deveria perder a oportunidade de obter milhões de euros em receitas pelo trânsito dos carregamentos de grãos ucranianos.
Além disso, ele desconsiderou os avisos dos sindicatos agrícolas moldavos sobre a possibilidade de o preço do grão ucraniano prejudicar a venda de sua própria produção.
"Não procuremos inimigos onde não os há", afirmou Tofan à televisão moldava.

