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A Federação Nacional dos Trabalhadores Portuários do Chile (Fenatraporchi) alertou que fará greve legal e outras ações se as negociações coletivas com as empresas portuárias estatais forem bloqueadas, com base – segundo acusam – em uma interpretação do Ofício Circular N°18 do Ministério da Fazenda.
Em um comunicado, a organização expressou seu "rejeição a que o Ofício Circular N°18 do Ministério da Fazenda seja interpretado como uma proibição absoluta para negociar melhorias econômicas nas empresas portuárias estatais. A negociação coletiva não é um privilégio nem uma concessão política: é um direito trabalhista reconhecido pelo Código do Trabalho, pela liberdade sindical e pelos convênios internacionais ratificados pelo Chile".
A Fenatraporchi afirmou que "uma circular administrativa não pode substituir a lei nem transformar a negociação coletiva em um trâmite sem conteúdo. Se uma empresa chega à mesa sustentando que não pode negociar matérias com impacto econômico, então não existe diálogo real nem boa-fé negociadora. Da mesma forma, a Fenatraporchi declara que, se persistir a intransigência do Estado, os sindicatos utilizarão todos os mecanismos reconhecidos pelo ordenamento vigente, incluindo a greve, conforme os procedimentos do Código do Trabalho".
A associação destacou que "a Resolução 18 não pode ser usada como proibição absoluta para negociar benefícios econômicos. Cada empresa deve negociar de acordo com sua realidade econômica, seus resultados e a contribuição efetiva de seus trabalhadores. Se há lucros, transferências, investimentos e cumprimento de metas, também deve haver reconhecimento trabalhista justo".
"A Federação ativará caminhos legais, sindicais, políticos, comunicacionais e internacionais para defender seus sindicatos. O conflito deve ser entendido como um tema regional: os portos sustentam emprego, comércio, conectividade, turismo e desenvolvimento territorial", afirmou a organização.
"Convocamos o Governo, o Ministério da Fazenda, a SEP, os conselhos e parlamentares das regiões a abrir um espaço real de solução. A Federação não busca conflito, mas também não aceitará que a negociação coletiva seja esvaziada. Se o Estado insistir em fechar os caminhos do diálogo, os trabalhadores e trabalhadoras farão greve e todas as ações que correspondam para defender uma negociação justa, equitativa e respeitosa da lei", afirmou a organização no documento.
"Os resultados financeiros de 2025 mostram que as empresas portuárias estatais não estão em situação de inviabilidade. Portanto, é preciso discutir de forma séria, responsável e justa o reconhecimento da contribuição de seus trabalhadores. Sem trabalhadores não há porto. Sem negociação real não há justiça trabalhista. Sem justiça trabalhista não há empresa pública moderna nem desenvolvimento regional sustentável", concluiu a organização no comunicado.

