• 5 min de lectura
• 5 min de lectura

A divisão do território nacional em macrozonas está fortalecendo o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público para enfrentar o crime organizado que utiliza os portos chilenos para cometer sua atividade ilícita.
A segmentação espacial permitiu focar os esforços do Estado, através de maiores capacidades com uma abordagem local que trata da problemática do tráfico em recintos portuários a partir de uma perspectiva local, considerando os elementos e características particulares das dinâmicas criminais.
A esse respeito, Ignacio Castillo Val, diretor da Unidade Especializada de Crime Organizado e Drogas da Procuradoria Nacional, explicou que "o importante é o que o Estado está fazendo de diferente para combater o tráfico em nossos portos. Do ponto de vista do Ministério Público, desde que o procurador nacional, Ángel Valencia, assumiu o cargo, ele colocou como uma de suas prioridades trabalhar nos portos para evitar o tráfico de drogas e encomendou a criação de um projeto portuário".
Nessa linha, Castillo complementou que "o projeto portuário, o que fez foi dividir nosso país em macrozonas para que um procurador regional se encarregasse de cada uma para dar mais profissionalismo e especialidade, melhorando a coordenação interinstitucional com o restante das instituições e podendo identificar fenômenos que são distintos. Isso temos visto claramente, o fenômeno do crime organizado associado ao tráfico de drogas portuário no norte, em Arica e em Iquique, é muito diferente do que é, por exemplo, em Valparaíso e em San Antonio, e inclusive na zona sul, ou seja, Bio Bio, Los Ríos e Los Lagos, mas também é diferente do que é no extremo sul".
"Então, o primeiro foi desenhar isso. O segundo é ir trabalhando para alcançar resultados e acredito que os resultados que temos visto, seja na Região de Valparaíso e, agora recentemente, na Região de Arica - onde foram apreendidas mais de 100 toneladas de cocaína - mostram que esse trabalho está sendo feito. O que buscamos é proteger nossos portos para proteger também nosso país, um país portuário e de costa, portanto, esse é seu ativo também comercial. Temos que fortalecê-lo para cuidá-lo", acrescentou o advogado.
Quanto aos recursos e tecnologias disponíveis para combater a criminalidade nos portos nacionais, o diretor da unidade expressou que "sempre o crime organizado buscará mecanismos para se antecipar, ganhar espaço do Estado e ter mais tecnologia que o Estado. Posso falar do nosso âmbito do Ministério Público e reconheço que temos visto um fortalecimento importante de nossa institucionalidade".
"Hoje temos o projeto Ecoh (Equipes de Crime Organizado e Homicídios), por exemplo, que embora não tenha a ver com o tema do porto, tem relação com o crime organizado e, particularmente, sua face mais dura com os homicídios, sequestros; mas também nos temas portuários tivemos alguns recursos para poder melhorar nossos centros de perfilamento e, sobretudo nas instituições, a disponibilidade e o intercâmbio de informações também mostram que temos recursos adequados", acrescentou.
Em uma visão mais ampla, Ignacio Castillo Val abordou a evolução do crime organizado em nível sul-americano em torno do uso dos portos como espaço para o tráfico de drogas. Dessa perspectiva, apontou para a possibilidade de que a implementação do Corredor Bioceânico entre Chile, Argentina, Paraguai e Brasil seja utilizada como um eixo de novas oportunidades para a atividade ilegal.
"As organizações criminosas estavam muito orientadas na parte norte do nosso continente, basicamente no Brasil e na Colômbia. Nós também tivemos casos importantes de tráfico através de nossas costas, mas basicamente porque se dizia que o Chile era um país de trânsito, onde de alguma forma limpavam as rotas com nossos portos", sustentou.
"Agora, a situação do tráfico na América do Sul tem mudado, no sentido de que as organizações criminosas também mudaram os portos, porque isso é como um balão: você aperta de um lado e o ar sai do outro; isso tem a ver com o que aconteceu no Equador, por exemplo, que aumentou fortemente a violência associada ao tráfico portuário e os riscos que podem também ocorrer no Chile, a propósito do Corredor Bioceânico", afirmou o responsável da Unidade Especializada.
Em relação ao projeto viário logístico, Castillo explicou que "por um lado, tem uma enorme vantagem do ponto de vista econômico e comercial de nossos portos, mas é aí que alguns, os bons, veem oportunidades de negócio lícito, aqueles que estão do outro lado da lei veem esses tipos de corredores e de passagens como oportunidades para poder fortalecer mais seu crime organizado".
"Este é um tema que o país está vendo, mas nós, como Ministério Público, estamos vendo na Região de Antofagasta. O procurador regional tem um compromisso muito sério com este tema, mas além disso - vale a pena dizer - a Procuradoria Supraterritorial, que é uma recente institucionalidade do Ministério Público, também tem uma visão a respeito desse fenômeno e terá uma incidência a respeito do que acontece lá", assegurou o diretor.
Fonte: Portal Portuario

