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O subsecretário de Transportes, Martín Mackenna Rueda, sublinhou o impacto dos portos como motor da economia chilena. Nesse sentido, ele apontou a urgência de impulsionar investimentos no setor, mas ressaltou que a obtenção de financiamento para esses projetos é um desafio que exige ser abordado "com a maior seriedade".
A declaração foi feita pelo chefe de Gabinete da Subsecretaria de Transportes durante o seminário InfraChile, organizado pelo Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI).
O encontro contou, ainda, com a participação do presidente da República, José Antonio Kast; o biministro de Obras Públicas e Transportes, Louis de Grange; os subsecretários Nicolás Balmaceda (Obras Públicas) e Romina Garrido (Telecomunicações), bem como os ex-ministros da Fazenda Felipe Larraín e Mario Marcel.
Na ocasião, Mackenna afirmou que "os portos são chave para o comércio internacional do nosso país, mais de 90% do comércio exterior se move pelos portos. É claro que vemos que todos os investimentos portuários que estão no radar são necessários, mas temos que ter claro que são projetos de altos valores de investimento; só no Porto de San Antonio são necessários USD 4.500 milhões. Então, a forma de conseguir e estruturar um financiamento para esse tipo de investimentos é um desafio que deve ser abordado com a maior seriedade, com a maior criatividade e também com os melhores dados disponíveis a cada momento, levando em conta que são políticas de Estado nas quais se avança e que são processos longos".
"Avança-se, por exemplo, com os processos ambientais, os quais são aprovados e, nessa medida, já se vai delimitando para onde vai essa infraestrutura. Acredito que também é muito importante que nos concentremos em pensar como utilizar da melhor forma a infraestrutura que já temos disponível quando também estamos pensando em investimentos tão altos. Por isso, também devemos ver temas regulatórios de facilitação e coordenação entre os distintos atores do setor público, os quais muitas vezes parecem não estar à altura da rapidez que o movimento da carga requer, considerando a importância que esta tem para o crescimento do país, o abastecimento do país e para a qualidade de vida de todas as pessoas", acrescentou.
Nesse sentido, o subsecretário de Transportes enfatizou que "o importante é continuar avançando nesses grandes projetos portuários, os quais se concretizarão em diferentes momentos para elevar a oferta total. Devemos olhá-los também com a infraestrutura associada que é necessária, por exemplo, para os corredores ferroportuários. Temos o Terminal Intermodal de Barrancas que será inaugurado em San Antonio e que permitirá multiplicar por cinco a capacidade de contêineres que chegam ao porto via ferroviária".
"Também considerar infraestrutura de rodovias para o acesso aos portos no Bio Bio, olhar de forma ampla a macrozona central, incorporando ainda o Bio Bio dentro das distintas alternativas para solucionar o mesmo problema de demanda futura, mas com os investimentos ótimos para conseguir estar sempre antes dessa demanda", acrescentou.
No âmbito do encontro, o presidente Kast e o biministro De Grange destacaram o papel estratégico da infraestrutura portuária para o desenvolvimento do país. Em sua intervenção, o mandatário citou o ex-presidente Eduardo Frei para definir o porto como a via que "abre uma região ao mundo", ressaltando ainda a relevância de terminais chave ao longo do território, como em Tocopilla, Valparaíso, San Antonio e no complexo portuário do Bio Bio.
Por sua vez, o biministro de Obras Públicas e Transportes saudou o titular da Empresa Portuária San Antonio (EPSA), Sergio Merino, destacando que a estatal enfrenta "desafios extraordinários e bonitos para o desenvolvimento futuro do nosso país", o que seria em referência ao projeto Porto Exterior.
Cabe recordar que o Governo do Chile reconheceu que financiar a iniciativa sanantonina é "extremamente complexo", já que iria em detrimento de custear urgências de caráter social. Em específico, as ressalvas estão no custo de investimento estatal que significam as obras de construção do molhe de abrigo (USD 1.950 milhões).
Enquanto isso, recentemente, a EPSA comunicou a decisão de reestruturar o processo licitatório do projeto portuário em duas etapas independentes e paralelas. Uma destinada a adjudicar a construção das obras habilitantes e outra focada nas específicas para criar o molhe de abrigo, o que foi valorizado por ex-ministros e especialistas.

